O que é o Jungle? As origens da cultura rave britânica
O nascimento do Drum & Bass. Como o jungle emergiu do rave britânico: breakbeats, ragga, Timeless de Goldie, e o som que começou tudo.
O jungle é a origem do Drum & Bass. No início dos anos 90, na cena rave do Reino Unido, os produtores aceleraram os breakbeats, sobrepuseram vozes ragga em camadas e levaram o sub-baixo a novas profundidades. O resultado foi o jungle: cru, urgente e inconfundivelmente britânico.
De onde vem o jungle
O jungle cresceu a partir do hardcore e do breakbeat britânicos. Produtores como Shy FX, DJ Hype e LTJ Bukem pegaram no amen break, aceleraram-no e combinaram-no com samples de reggae e dancehall. O tempo rondava os 160–170 BPM. A atmosfera era escura, enérgica e profundamente enraizada na cultura dos sound systems negro-britânicos e jamaicanos.
Em meados dos anos 90, "jungle" e "Drum & Bass" eram usados indistintamente. Com o tempo, DnB tornou-se o termo abrangente, enquanto jungle passou a referir-se mais especificamente ao som com influência ragga e carregado de breakbeats.
Goldie e Timeless
Goldie colocou o jungle no mapa para um público mais amplo. O seu álbum de 1995 Timeless—em especial o tema-título de 21 minutos—demonstrou que o jungle podia ser épico, orquestral e emocionalmente complexo. Timeless fundiu cordas orquestrais, amens rolantes e sub-baixo em algo que ainda hoje soa à frente do seu tempo. Provou que o jungle era mais do que música de clube; podia ser arte.
A editora de Goldie, Metalheadz, e as suas noites no Blue Note de Londres tornaram-se epicentros do som. Artistas como Photek, Dillinja e Doc Scott definiram a face "inteligente" do jungle: uma produção mais limpa, atmosferas mais profundas, mas sempre ancorada nos breaks e no baixo.
O som do jungle
O jungle é construído sobre:
- O amen break e outros breaks — cortados, acelerados e sobrepostos
- Samples de ragga e dancehall — vozes, metais, stabs
- Sub-baixo — graves profundos e rolantes
- Tempo — normalmente entre 160 e 170 BPM
A produção era muitas vezes tosca para os padrões atuais, mas essa crueza fazia parte do encanto. O jungle era DIY, urgente e ligado ao rave.
O jungle hoje
O jungle nunca desapareceu. Um revivalismo na década de 2010 trouxe-o de volta aos cartazes dos clubes, tanto com os clássicos como com novos produtores (Chase & Status, KANINE, entre outros) a reinterpretar o som. Em Barcelona, coletivos como Subconscious, Drop Zone, Vitality e outros mantêm vivas as raízes do jungle.
Parte do Guia completo dos géneros de Drum & Bass.